
É tudo culpa da música pop, já diria Nick Hornby em Alta Fidelildade.
Quando eu tinha uns 8 anos, minha mãe achou um elepê espanhol dos anos 50 (década em que ela saiu da Espanha), de um molequinho que era cantor e fazia sucesso naquela época. Ele chamava Juanito, Joselito, sei lá, me lembro que tinha ito no final.
Sei que a cena era estranha pra mim, do alto da minha meninice: o som no máximo, minha mãe chorando e cantando junto com um moleque de voz aguda que me irritava e me estourava os tímpanos. Como a minha mãe, o ser mais coerente que eu conhecia, podia gostar de uma coisa daquelas? Mas, como desde criança eu cultivo uma língua ferina, e por isso tentei chamá-la à realidade: disse que não sabia como ela podia gostar de uma coisa ridícula daquelas, com um moleque com uma voz tão irritante daquele jeito.
Ela, de orgulho ferido, diz que quando eu tivesse a idade dela, um dia entenderia e choraria também, porque aquelas músicas traziam-lhe lembranças que não voltariam mais.
Pois bem, ontem eu estava sentada no sofá da sala, com os olhos grudados na Globo, vendo o U2 e chorando, até que minha mãe vem do quarto e flagra a cena. Pergunta, em tom jocoso: "tá chorando por que?", e eu, "bah". Na realidade, naquele exato momento eu lembrei do episódio do vinil irritante, e me peguei na mesma situação que ela falou que eu também viveria.
Falar o que?? U2 sempre esteve presente na minha vida. E isso, claro, traz lembranças, boas e más, mas elas estão lá e não deixam de ser lembranças minhas, as quais me emocionam. Por isso eu não consegui conter as lágrimas e chorei.
E tudo isso, com o plus advanced de que Bono Vox não tem a voz nem irritante e nem esganiçada 
"Tell Me Now So I Know", Holly Gollightly
E Maria Renata tornou sua vida pública novamente às 15h31
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