
Imagine que, depois de dois shows maravilhosos numa tacada só, de uma banda que vc já assistiu (Wonkavision), e de outra que vc ama e sempre quis ver (Ludov), vc está cansado e anseia chegar ao seu destino para passar a noite com os amigos. O lugar em questão é emprestado, o dono não mora lá mas não se importa que vc use o espaço sempre que precisar, o que, inclusive, vc faz sempre.
Vc está em uma cidade (Santo André), e o lugar onde vc vai dormir fica em outra (São Paulo). Assim que a última banda acaba de se apresentar, vc dá um tempo e vai embora, um tanto receoso quanto ao horário do trem, afinal vc não devia ter esticado tanto tempo por lá dp do show. Daí, vc e os seus amigos pegam o último trem, com medo de que, ao chegar na outra cidade, o metrô não esteja mais funcionando. Mas por sorte, ainda não fechou, e vc consegue fazer o seu caminho sossegadamente à estação próxima ao local onde vc pretende passar a noite.
"Próximo" é puramente uma maneira suave de se dizer que não tem outra forma barata de vc chegar até lá. No caso vc sobe uma avenida movimentada, vê degraus de porta descascados com avisos de "cuidado, tinta fresca" obviamente para repelir moradores de rua, encontra poças de sangue no chão, passa por vidokês vazios onde só uma pessoa (bêbada, claro) está cantando, além de cruzar o caminho com gente peculiar.
Como saco vazio não pára em pé, próximo do lugar de descanso há um supermercado 24h, então vcs resolvem passar por lá e fazer compras pra passar a noite. Um dos amigos faz o maior frisson para comprar uma cerveja belga (Stella Artois), e vcs compram uma caixa dela, além de coca cola, queijo, presunto, requeijão e dois pacotes de pão de fôrma (um para a hora que vcs chegarem e outro para o café).
Duas, três quadras a seguir e vcs finalmente chegam ao tal lugar. Dão boa noite ao porteiro e sobem de elevador até o tal andar. Caminham até a porta, vc abre a porta com a chave dizendo, "olha gente, a minha tia disse que aqui tá meio bagunçado pq ela não tem vindo muito pra cá, mas não liguem", acende a luz e... oh! Poxa, não está tão bagunçado como vc imaginou... o chão está até encerado... aí vc acende a luz da cozinha ali do lado e sobre a mesa nota que um material de estudo e anotações repousa inerte. Olha para a letra das anotações e não, não é a caligrafia de nenhuma das suas tias.
Vc pára. Estranha. Tem coisas por ali que vc nunca reparou que estavam lá nas outras vezes que foi lá, antes. Caminha até o quarto da sua tia, a porta está aberta e vc nota algo branco embolado por cima da cama. Vc acende a luz. Uma mulher loira-ruiva (ruiva-loira?) está dormindo sobre a cama da sua tia. Ao ser incomodada pela claridade, solta um grunhido. Vc, sem jeito, imagina que seja amiga das suas tias. Fala: "Desculpa! Eu sou sobrinha da Regina e da Edna, vim passar a noite", e a mulher responde, "Ah! Elas alugaram aqui pra mim"!
Cara de tacho. Sem dignidade, vc olha para os seus amigos, segurando sacolas lotadas de coisas, com "vamos beber Stela Artois até cair" estampado na testa. Vc se lembra que ouviu um comentário das suas tias de que elas alugariam um quarto durante um mês, e a sua ficha cai.
Vc chama os seus amigos até a cozinha, fecha a porta, sentam-se no chão, passam requeijão no pão e tomam a cerveja em questão. Trocam olhares. Pensam na situação. E se matam de rir, fazer o que...
E eu queria aproveitar o post de hj pra lembrar que amanhã a Ká chega na idade do viado! Então ficam aqui os meus parabéns, desejos de felicidade e todas as coisas clichês que se desejam num aniversário, mas que são sinceras porque ela é uma pessoa tão especial e querida que eu não posso desejar nada além de tudo de bom msm, né?
"Mais Uma Vez", Ludov
E Maria Renata tornou sua vida pública novamente às 21h49
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