
Já é a segunda vez nessa semana que alguém vem me perguntar se eu sou bissexual, a primeira vez de uma forma direta, vindo confirmar o que ouviu ("ei, me falaram que vc é bi, é verdade?"), e a segunda de um modo mais sutil. E isso sem contar que sempre vêm me perguntar sobre a minha sexualidade.
Daí me veio na cabeça a possibilidade de eu ter essa fama na cidade e nem saber, claro, afinal tudo é possível na provinciana ville que é Mogi das Cruzes: eu andando na rua e as pessoas em rodinha apontando, "olha a Maria Renata, ela é bi"!
Não, diabos, eu não sou bi, eu gosto de homem, de homem! Mas o que é que as pessoas têm a ver com isso? O que é que vcs têm a ver com isso?
E se eu fosse? Não vou deixar de ser quem eu sou. É tão óbvio, tão batido e tão clichê dizer isso... Por que as pessoas não apontam pra mim quando eu passo e dizem, "lá vai a Maria Renata, ela não deve nada a ninguém", "olha a Maria Renata, ela é atenciosa"... Ah! Vão se danar! Cuidem de suas vidinhas fúteis que eu cuido da minha, droga!
"A Letter to Elise", The Cure
PS: sim, estou muito brava com tudo isso, sei que esse é o preço que se paga por viver em uma cidade que se acha tão cosmopolita quanto São Paulo, por isso, mogianinhos de merda que adoram cuidar da vida alheia, espero que vcs peguem tifo.
E Maria Renata tornou sua vida pública novamente às 17h37
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Eu ia no show do Oasis. Eu ia. Ia com o Thiago.
Mas aí eu tava no Arco, bebendo com o Lu e com o Arthur, quando digo que pretendia ir. E ambos me dizem que as meias entradas esgotaram. Carambolas, esse é o meu último ano de meia entrada, mas se o Thiago topasse pagar meia entrada, eu estaria disposta a desembolsar R$ 120, afinal Noel Gallagher foi uma das minhas paixões platônicas e seria sacrilégio não vê-los tocando Champagne Supernova.
Enfim, Thiago topa pagar R$ 120. Shoiti (segundo meu irmão, o meu Sancho Pança, que não ia no show mas ia me acompanhar na compra do ingresso) e eu encontramos com ele na Luz. Começa a desventura: primeiro pegamos o trem errado, depois no trem certo o Shoiti começa a passar realmente mal, com direito a coceira e tremedeira.
E chegamos no local da compra. O segurança pergunta qual entrada a gente ia comprar, quando falamos Oasis, o caos se instaura: ingressos esgotados. Nada: nem meia e nem inteira. Seria muito fantasioso dizer que nesse exato momento, desabou o maior toró? Pois é, choveu, não é mentira, e além de pensar em frustração, eu pensava no filme "Férias Frustradas", com o Chevy Chase. Não, apontar uma arma pro cara do guichê e forçá-lo a nos liberar ingresso não ia adiantar, mesmo depois de toda a via-cruci que atravessamos. Ainda olho pro coitado do Shoiti, ainda seqüelado pela tremedeira, que não tinha nada a ver com a história. Eu indignada porque algum emo ou qualquer outro pivete modista tinham comprado as nossas entradas, nós, que acompanhamos Oasis desde o começo dos tempos.
Mãs... ainda assim, não podíamos permitir que tudo aquilo fosse em vão, olhamos pra uma tabelinha de shows que estão por vir e ainda dava pra comprar meia-entrada. Troféu de consolação: Echo and The Bunnymen, também inglês, não tem os irmãos língua afiada, mas tem a língua ferina de Ian "The Mouth" McCulloch (tá, eu não assumi antes, mas também tive uma paixãozinha passageira por ele - sim, eu realmente gosto de caras estranhos)! E no lugar de Champagne Supernova, tem The Killing Moon, melhor ainda, tá???
"Satan is My Motor", Cake
E Maria Renata tornou sua vida pública novamente às 23h07
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